domingo, 9 de outubro de 2011


E se me achar esquisita,
respeite também.
até eu fui obrigada a me respeitar.
(Clarice Lispector)



Permanente na vida só mudanças

Estou com 23 anos, e acho que hoje porque estava me sentindo sozinha, meus pensamentos resolveram se focar nos desejos do futuro. Abriu-se a caixa de Pandora e lá vai minha cabecinha sonhadora... (odeio quando isso acontece!).
Hoje percebi que tenho alguns desejos que acho, serão para sempre. Desejo ser uma excelente educadora, ser sempre uma filha e irmã amorosa, uma amiga fiel, um ser humano solidário, de princípios. Quero sempre cultivar meu lado romântico, quero sempre acreditar num amanhã melhor, encontrar a felicidade em coisas simples, sempre acreditar na existência de um ser superior que pode fazer algo para deter as injustiças aqui embaixo...
Quero muitas coisas, acho que com o passar do tempo vou deixar de querer algumas e passar a querer outras, mas chega um momento em que todo mundo (ou quase todo mundo) quer coisas parecidas, como saúde, paz, felicidade, amor, prosperidade, que o filho faça um curso superior, que os EUA tenham sua “mão invisível” amputada e blá blá blá... Eu mesma quero algumas coisas que uma mulher de 30 quer, e não quero algumas coisas que uma mulher de 23 quer (Isso nem Freud explica!)
 Mas hoje me ocorreu que quero muito algo, e esse querer me fez refletir. Coisa que sempre faço muito. Por alguns momentos tenho o breve pensamento de que quem vive na ignorância é mais feliz, pois o conhecimento traz responsabilidade e a realidade às vezes é bem dolorida. Queria não saber que o homem foi à lua, que o átomo é a menor partícula do Universo (aliàs há muito já não é mais). Queria não saber quem foi Che, Lênin ou Marx, que existe caviar, Le Bristol, Calvin Klein, Prada, Gucci, tablet, alienação, neoliberalismo, capitalismo. Por outro lado o conhecimento que adquiri até aqui, e não é muita coisa, me faz viver melhor e disso eu não quero abrir mão.Tenho um tesão danado em aprender!  Depois de toda essa “insurreição” dormi para ver se passava como antigamente, mas não passou... (comi um doce então para sossegar um pouco a minha “existência”). Ataques de “frescurite aguda”, como dizia meu pai.
  Voltando ao assunto do meu querer que me fez “matutar” tanto, lembrei-me de amigas, primas, colegas, solteiras, casadas, separadas, formadas, com filhos ou não, e me ocorreu que muitas da minha idade já fizeram muita coisa, e outras (como eu) nem tanto (outro motivo para fazer “transbordar” o Nilo). Como se não bastasse aquelas, ainda me lembrei de outras mulheres que tenho ao meu redor ou que fazem parte da minha vida como minha mãe, amigas da minha mãe, tias, professoras, vizinhas, a mulher da farmácia, a dona do supermercado, negras, brancas, índias, ricas, pobres, empresarias, autônomas, politizadas, alienadas, as ditas belíssimas e as ditas não tão belas e por ai vai. Todas essas mulheres me vieram à cabeça, pois (ao menos uma vez em minha longa existência de 23 anos) já ouvi de alguma delas a incômoda frase: Porque será que estou sozinha?
Essa pergunta me faz pensar um “pouquinho” e me dá até um frio na barriga, pois vejo mulheres lindas, inteligentes, decididas, maduras, estratégicas, financeiramente e profissionalmente bem sucedidas, mas que estão sozinhas, e não por escolha própria (lembrando que existem homens também). Entendo que nenhum ser humano vive sozinho, mas também entendo que não podemos basear toda a nossa felicidade em algo ou alguém.
Uns dizem que vivemos na era da solidão, outros culpam a massificação do sistema capitalista, os meios de comunicação que exibem corpos virtuais, a banalização da sexualidade e há também as discussões sobre as mudanças que vem acontecendo nas relações afetivas. Já vi alguns declararem a falência total do amor romântico e outros afirmarem que o amor apenas evoluiu é está apenas diferente daquela ideologia de 20 anos atrás. Sinto-me um tanto abalada com tantas teorias, mas vou tentando viver de acordo com as minhas regras. Creio que cada um saiba o que é melhor para si.
Mas em meio a tudo isso, tenho que admitir que de uma coisa eu tenho certeza: adoro sexo, aliás, todo mundo adora, mas eu estou dizendo que adoro porque até pouco tempo atrás não gostava (maldita educação machista!). Já me senti mal por ter desejos, por ter vontade de falar aquelas “palavrinhas proibidas”. Acho que superei a minha excessiva timidez e acertei em cheio o príncipe que caiu do cavalo e quebrou o pescoço (Adeusinho!). Às vezes eu gosto da candura da menina, outras vezes adoro dar vazão a mulher que esta nascendo em mim. É muito bom fazer essa afirmação, pois me parece que uma pessoa mal resolvida sexualmente é uma pessoa frustrada em praticamente todas as áreas de sua vida.
O fato é que MUITAS COISAS já foram superadas, mas ainda há uma parte do caminho a percorrer, contudo não me preocupo com a chegada. Vou apreciando a paisagem ao longo do caminho.
Gosto quando percebo que estou sendo desejada, quando percebo os olhares e fico meio sem jeito. Gosto daquela sensação que me arrepia e me queima a pele, que me deixa de boca seca e pernas bambas. Porém EU não faço nenhuma questão de ser a “MULHER FATAL”, ou a tal “MULHER MODERNA” (eu nem sei que bicho é esse, ou será que sou uma e não sei?!). Afinal não preciso provar nada para ninguém. Porém mesmo descobrindo que posso sentir prazer (e como posso!) ainda sinto falta de algo. Gosto de ouvir aquelas tais “palavras proibidas”, mas gostaria também de ouvir palavras de carinho, de ser tocada, de ser beijada, de ser despida, de ser possuída COM CARINHO.
Sinto uma falta terrível de dormir nua abraçadinha, de ligar só para ouvir a voz ou para dizer que estou com saudades. Sinto falta de coisas que nunca vivi, não sei se por ser realmente romântica ou se esse fato se deve a herança da educação machista que nos mulheres ainda recebemos nessa sociedade.
 Eu (pelo menos no momento) não tenho o sonho de me casar, adoro crianças, mas não sei se quero ter filhos, mas tenho a certeza absoluta que desejo me resguardar.  Quero ter alguém para planejar vestir aquela lingerie e ser despida bem devagarinho (ou não), acordar no meio da noite com aquele beijo delicado, mandar torpedos no meio da tarde e ficar imaginando como vai ser quando nos encontrarmos. Eu quero os gritos de prazer e também os sussurros carinhosos.
 Desejo alguém ao meu lado não somente para os bons momentos, mas também para me passar e receber força diante de momentos difíceis, que me faça crescer e que queira crescer comigo, que me ensine e queira aprender comigo, que não seja a minha total felicidade, mas que faça parte dela.
De minha ótica esses meus desejos são tão humildes, pois só cobiço afeto, respeito, cumplicidade, compreensão, sinceridade... Não peço sentimento eterno, perfeição ou idolatria. Não precisa estar de bom humor todos os dias, não precisa se vestir exatamente da maneira como eu gosto, não precisa me compreender ou concordar sempre comigo, não precisa pensar da mesma forma que eu penso, não precisa acertar em todos os presentes ou gostar das mesmas músicas.
Só quero olhar nos olhos de alguém, oferecer aquele sorriso bobo e ter a certeza de que esse alguém não quer estar somente por cima de mim ou por baixo, mas também ao meu lado.
Será que tenho realmente o ofício de sonhadora, como a maioria das pessoas me diz ou minhas “pretensões” são lúcidas?



O Ministério da saúde adverte: Não leve tão a serio. São apenas confidencias, afinal todos tem o direito  a devaneios de vez em quando.



2 comentários:

  1. Lindo texto! Amei sua sinceridade na escrita! Abraços.

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  2. Olá querida, obrigada e seja bem vinda ao meu cantinho. A sinceridade realmente faz parte de minha escrita e vida.
    Beijos!

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